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Pérez Esquivel: Sobre a impunidade não se pode construir uma democracia

publicado em 06/04/2011

Por Giorgio Trucchi

A necessidade de esclarecer as violações aos direitos humanos durante o golpe e de romper o círculo de impunidade em Honduras, bem como a ameaça que representa essa ruptura constitucional para a América Latina e o papel que tem desempenhado os Estados Unidos nesse contexto são alguns dos temas abordados pelo Prêmio Nobel da Paz e representante da Comissão da Verdade (CdV), Adolfo Pérez Esquivel, em entrevista oferecida a Sirel durante sua estadia em Honduras.

Por que decidiu aceitar a proposta de integrar a Comissão da Verdade que está investigando os crimes cometidos durante o golpe?

- Sou um sobrevivente da ditadura e sei que um golpe de Estado sempre traz como consequência a violação aos direitos humanos. Aceitei integrar essa Comissão porque é uma instância impulsionada por organismos de direitos humanos e pela sociedade. Já não podemos aceitar nenhum golpe de estado na América Latina e necessitamos trabalhar para o fortalecimento da democracia e pela vigência dos direitos humanos como valor indivisível.

O que pensou ao saber do golpe em Honduras?

-Que o mecanismo de dominação continua e que esse novo atropelo contra a democracia afetaria todo o continente latino-americano. As mudanças nos países devem ser eleitas pelos próprios povos e não pelas forças do poder com o consentimento dos Estados Unidos.

Que opinião tens acerca da participação dos Estados unidos no golpe em Honduras?

- A história demonstra que os Estados Unidos sempre propiciaram golpes de Estado para controlar aos países e defender seus interesses. Golpes não podem ser dados na América Latina sem o consentimento do governo estadunidense.

Vejamos o que aconteceu com as tentativas de golpe na Venezuela, na Bolívia e no Equador. Perguntemo-nos por que Estados unidos estão instalando bases militares em toda a América Latina. Por que continuam tentando impor ditaduras, quando necessitamos de recursos para o desenvolvimento dos povos e não projetos de morte e de submissão?

Que percepção há da situação de Honduras no resto do continente?

Tenho mais de 40 anos de estar trabalhando em toda a América Latina e o que acontece hoje em Honduras afeta a todos nós; pois coloca em situação de instabilidade a vida e os direitos dos povos. Não é nada novo. Já vivemos coisas semelhantes em todo o continente e o resultado é sempre repressão, dor, falta de liberdade, morte e os recursos dos povos submetidos aos grandes poderes. Já não podemos permitir que isso continue acontecendo!

*publicado a partir de Rel-UITA (Unión Internacional de Trabajadores de la Alimentación, Agrícolas, Hoteles, Restaurantes, Tabaco y Afines), com tradução da ADITAL

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