Analisa a política externa brasileira na segunda metade do século XX, descrevendo o processo que levou a autonomia – que marcou nossa atuação internacional, passando da “política externa independente” ao “pragmatismo responsável e ecumênico” – a ceder lugar, sob a hegemonia do pensamento neoliberal, a uma vinculação subordinada à globalização, incompatível com a dimensão e os potenciais do país.
Por Alexandre Fortes
Um dos aspectos fundamentais na construção de uma nação é a definição do lugar que ela pretende ocupar no cenário mundial. Decisões sobre que parcerias devem ser estabelecidas, como se posicionar diante de conflitos internacionais, de que organismos ou articulações se deve participar e como atuar dentro deles estão diretamente relacionadas ao projeto nacional de cada país. Infelizmente, como destaca Paulo G. Fagundes Vizentini, os debates sobre este tema estiveram até bem pouco tempo restritos a um segmento restrito da elite nacional: os diplomatas.
O autor demonstra como, entre as décadas de 1950 e 1980, a política externa brasileira teve como objetivo central criar condições para o desenvolvimento industrial. O ponto de partida foi a "barganha nacionalista", por meio da qual Getúlio Vargas obteve concessões norte-americanas em troca do alinhamento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. A partir do segundo governo Vargas, esta postura evoluiu gradualmente para uma ampliação e diversificação das relações exteriores do Brasil, cujo amadurecimento resultaria, já no período Jânio Quadros-João Goulart, na formulação da "política externa independente". Vizentini lembra que, após um breve intervalo de alinhamento incondicional com os Estados Unidos, o próprio regime militar viria a retomar princípios e elementos daquela política, adaptados à sua própria concepção de "Brasil potência", gerando o "pragmatismo responsável e ecumênico". Estas políticas de abrangência planetária, conduzidas com significativa autonomia, passariam a ser ameaçada apenas pelo predomínio do neoliberalismo nos anos 90. A destruição dos pilares que sustentaram o crescimento econômico contínuo dos 50 anos anteriores, nos quais o Brasil chegou a se a tornar a oitava economia mundial, coloca o país diante dos riscos gerados por uma "vinculação subordinada à globalização".
Dados Técnicos
ISBN:2147483647
Páginas:136
Ano:2003
Edição:3
Idioma:portuguesa
Peso:240
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