você está em:

 


 

nº 10- abril/maio/junho de 1990

Teoria e Debate nº 10- abril/maio/junho de 1990

publicado em 16/05/2006

Apresentação

Artista da capa: Oscar Satio Oiwacapa10

Os dirigentes do socialismo alemão eram corruptos vulgares, relata Frei Betto em seu artigo, O fim do que foi o Princípio. O título se explica: tradicionalmente, o proletariado alemão sempre ocupou o lugar de vanguarda mundial nos sonhos dos marxistas mais célebres. Pois o socialismo alemão fracassou e, com ele, ruíram princípios, desmoronaram dogmas, despencaram fachadas - até um certo muro veio abaixo! E Frei Betto, depois de mais de 20 anos de luta sem tréguas pelo socialismo, revê o que deve ser revisto: "os desvios do burocratismo e do stalinismo exigem, agora, que se fale em socialismo democrático ou participativo e se defina o seu conteúdo". A mesma disposição critica vibra no texto de Marco Aurélio Garcia sobre Luís Carlos Prestes (1898-1990), Um Cavaleiro na Lembrança. "Não basta sair pela tangente e dizer que o que está desmoronando nunca foi o socialismo mas a sua perversão. A crise do socialismo 'realmente existente' afeta também as bases do projeto socialismo tout court...", afirma o historiador. O filósofo Renato Janine Ribeiro vai mais longe: "No plano político, também o sistema marxista rui - talvez mais até que no plano social". O seu ensaio, Os Perigos do Universal, impõe-se como uma reflexão obrigatória. Ou a(s) esquerda(s) passa(m) por ela ou a esquerda não sobrevive. Dilui-se no tempo, esfarelando-se como um caco de muro.

Ora, mas seríamos nós, de Teoria & Debate, os novos promotores do revisionismo? Há quem pense assim, ao menos por automatismo. Afinal, em nossas 72 páginas trimestrais, tudo é revisto, revisitado, revisado. Mas vale lembrar que revisionismo é um termo carregado de sentido histórico exato: designa o exercício da improvisação teórica com a finalidade de justificar capitulações materiais. É por isso que preferimos pensar o oposto: revisionistas são exatamente aqueles que impediram a livre discussão ao longo desses anos todos.

"Liberdade na discussão, unidade na ação", ensinava a velha máxima bolchevique. Dela, podemos nos considerar os militantes da primeira parte. Liberdade na discussão, absoluta liberdade. Em torno dela nos unimos, assim como se une sólida uma revista como esta, feita de pensamentos tão dispares. Tão dispares quanto as opiniões do deputado Luiz Gushiken - "exluir (do PT) organizações que não se enquadram na norma partidária (...) é uma medida salutar" -, que defende nessa edição a exclusão da Convergência Socialista do PT, e as opiniões de Valério Arcary, membro da Convergência Socialista, que pleiteia seu lugar dentro do partido - "Nós somos uma força viva do PT, que defende idéias da esquerda revolucionária". A entrevista que Valério Arcary concedeu a Ricardo de Azevedo, ao longo de sete páginas deste número de Teoria & Debate, é, no mínimo, polêmica. A glasnost, para ele, é manobra: "Nenhum apoio a Gorbatchev. Gorbatchev é o inimigo da revolução política. Gorbatchev é o principal sócio de Bush para uma restauração capitalista na URSS."

Entre todos os articulistas de Teoria & Debate há um forte laço de união, porém. Todos são cúmplices deste conselho no compromisso ético com a liberdade e o debate de alto nível. Pensar livremente talvez seja a condição primeira da grande utopia -às vezes arrefecida, às vezes tímida - que nos torna profundamente iguais em nossas formidáveis diferenças.

Conselho de redação



Sumário:

Nacional
Partido do Trabalhadores: Luta em solo minado
Luiz Gushiken

Economia
Plano Collor: armadilha neoliberal

Aloízio Mercadante

Debate
Socialismo Real
O fim do que foi princípio

Frei Betto

Pela tradição Marxista

João Machado

Ensaio
Corrupção em casa: os perigos do universal

Renato Janine Ribeiro

Gramsci, Rosa e o PT: A história se repete

Tarso Genro

Memória
Um cavaleiro na lembrança

Marco Aurélio Garcia

Cultura
Loucura e mistificação - a juventude que perdi

Eugênio Bucci

Internacional
Nicarágua: sandinismo sem votos

Marcos Arruda

Opinião
Tentação reformista: Medo (e gosto) de pecar

Carlos Eduardo de Carvalho

Entrevista
Valério Arcary: qual é a tua, Convergência?

por Ricardo Azevedo

Direito
Liberdades ameaçadas: Antiterrorismo ao pé da letra

José M. de Aguiar Barros

Trabalhadores
Reforma agrária: terra partido nos anos 90

Claus Germer

Resenha
Os rumos da Perestroika, de Bóris Yeltsin, Ed. Best Seller, 1990

por Edmundo de Oliveira

Cartas dos leitores

Tags:  




 
 

Partido dos Trabalhadores


FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO
Rua Francisco Cruz, 234 - Vila Mariana - CEP 04117-091 - São Paulo - SP - Brasil Fone: (11) 5571-4299 - Fax (11) 5571-0910