nº 27 - dezembro de 1994/janeiro/fevereiro de 1995
Capa: trabalhos de presos políticos de São Paulo

Trotsky dizia que a sociedade sem classes não eliminaria os conflitos. Os homens continuariam se organizando em "partidos", mas as polêmicas ganhariam novos conteúdos, literários por exemplo.
O comunismo parece mais distante hoje do que nos tempos do velho Leon, mas a principal polêmica de T&D 26 foi provocada por Iumna Maria Simon. Sua crítica à incursão político-lulista de Haroldo de Campos mereceu duras respostas de Nelson Ascher e Boris Schnaiderman, publicadas nesta edição.
O prazer que nos deram os beletristas, não recebemos dos sociólogos. Aliás, do sociólogo Francisco Weffort, cuja entrevista à T&D 26 não trouxe o furo de sua conversão ao governismo, logo ele, indicado por Lula para ser um dos coordenadores da campanha presidencial. Falha dos entrevistadores ou do entrevistado? Cabe ao leitor julgar. De nossa parte, engrossamos o coro de Marcelo Coelho, Jânio de Freitas, Bernardo Kucinsky, Fábio Konder Comparato e Luís Fernando Veríssimo. Weffort tem explicações a dar. As páginas desta revista estão abertas para seus motivos. Mesmo que tarde, será melhor do que nunca.
Ditado que não vale para a Folha de S.Paulo: no dia 13 de novembro de 1994, tal diário publicou um artigo do professor Roberto Mangabeira Unger. Seus leitores e o debate político nacional ganharam com isso. Mas o diário perdeu credibilidade: apresentou como "especial para a Folha" um artigo que na verdade fora escrito a pedido de T&D.
Pego em flagrante (a revista contendo o artigo do professor circulara antes da Folha publicá-lo), o jornal de rabo preso com o leitor concedeu uma minúscula correção na seção "Erramos", onde reconhece que o artigo em questão não era um especial para a Folha. Mas faltou esclarecer ao leitor o substancial: que o artigo, profundamente critico ao PT, fora escrito a pedido de uma publicação petista.
O detalhe é que a Folha sabia disto. O professor Mangabeira Unger lhes deixara claro que o supracitado artigo havia sido entregue a uma publicação interna do PT. Ocorre que o editor do caderno Mais entendeu que "publicação interna" fosse "coisa pequena, aqueles boletins xerografados, e não uma revista". Moral da história: para a Folha "coisas pequenas" não merecem respeito.
Dito isto, passemos ao que aguarda os leitores nas próximas páginas. Antonio Carlos Queiroz analisa o governo Fernando Henrique Cardoso. Roberto Schwarz fala de cultura e, principalmente, política. Flávio Aguiar conta sua visita ao Rio de Janeiro sob intervenção. James Petras trata da vitória republicana nos states. Wolfgang Leo Maar discorre sobre ética e trabalho. Videvídeo traz o diretor Robert Altman apud Mag Araújo. O livro que fez a cabeça é de Sérgio Mamberti. Rogério Menezes nos traça o Vulto de ACM, o malvadeza. João Machado nos conta porque o PT não caiu na real. E Alípio Freire embarca no polêmico assunto das contribuições de campanha.
A Memória desta edição é mineira, mas de sangue carbonário: Helena Grecco. Aliás (os que não entenderam o "aliás" logo entenderão), os 15 anos da Anistia, comemorados em 1994, nos levaram às ilustrações desta edição. Sérgio Sister explica como, Bacha e Myriam Luiz Alvez explicam porquê.
CONSELHO DE REDAÇÃO
Sumário:
Nacional
Oposição antes que seja tarde
Antônio Carlos Queiroz
Dormindo com o inimigo
Alípio Freire
Entrevista
Roberto Schwarz - Do lado da viravolta
por Fernando Haddad e Maria Rita Kehl
Vulto
Deus e o diabo na terra do sol
Rogério Menezes
Economia
Debate econômico na campanha Lula
João Machado
Internacional
A débâcle Democrática
James Petra
Trabalhadores
Ética e trabalho
Wolfgang Leo Maar
Sociedade
A nossa Canudos
Flávio Aguiar
Memória
Helena Greco
por Valter Pomar
Cultura
Pequenas insurreições - memórias
Conjunto de matérias sobre os quinze anos da Anistia
Fazendo arte na cadeia
Sérgio Sister
Anistia ampla, geral e irrestrita
Hélio Bacha
Quadro - Quem pintou na cadeia
Vala comum, o filme
Myrian Luiz Alves
Debate
PT e Poesia
Dedurismo fora do lugar
Nelson Arsher
A sombra de Jdanov
Boris Schnaiderman
Videvídeo
Como um olhar zen
Magnólia Araújo
Livros
O que fez a cabeça de Sérgio Mamberti
Resenhas
A teatrologia de Cristovam Buarque
por Vlater Pomar
Carapintada, de Renato Tapajós
por Luciana A. Penna
O Homem restolhado, de Gaston Miron
por Mouzar Benedito
O sonho era possível, de Martha Harnecker
por Rachel Meneguello
Cidade partida, de Zuenir Ventura
por Guaracy Minguardi
Mística e espiritualidade, de Leonardo Boff e Frei Betto
por Ranulfo Peloso
Memórias selvagens, de Jung Chang
por Bernardo Kucinski
Poeta da edição: João Suzuki
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