Poema "Canto a mim mesmo" de Walt Whitman
Eu parto que nem ar,
sacudo os cabelos brancos ao sol
que se está indo embora,
derramo em remoinhos minha carne
e deixo-a flutuando em pontas rendilhadas.
Eu me planto no chão para crescer
com a relva que eu amo:
quando vocês de novo me quiserem,
é só me procurarem
debaixo da sola de seus sapatos.
Dificilmente saberão quem sou
ou o que eu quero dizer,
mas mesmo assim eu hei de ser para vocês
boa saúde, dando ao sangue de vocês
pureza e energia.
Se logo de saída não me acharem,
mantenham a coragem:
se me perderem num lugar, procurem
achar-me noutro:
em algum ponto eu hei de estar parado
à espera de vocês.
Walt Whitman*
(tradução de Geir Campos)
* Disseram que Walt Whitman, anos depois, conseguiu ser o poeta da revolução americana. E que enfermeiro na Guerra da Secessão, teria exposto o liberalismo individualista, o igualitarismo antifeudal ou ainda a vitalidade inaugural do capitalismo na América. As gotas de poesia que Teoria & Debate oferece ao leitor sugerem que não há um Whitman verdadeiro. Elas vêm de Songs of Myself (Canto a Mim Mesmo), um fragmento de Leaves of Grass (Folhas das Folhas da Relva, Editora Brasiliense) que, como Whitman gostava de brincar, não era um livro, pois bastava tocá-lo para que surgisse um homem. Nascido num vilarejo em Long Island, perto de New York, Whitman (1819-1892) permanece o poeta americano que mais derramou seiva e espalhou raízes de liberdade pelo mundo afora.
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