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Poeta: Umberto Saba

Teoria e Debate nº 11 - julho/agosto/setembro de 1990

publicado em 09/04/2006

Poema de Umberto Saba
Meu pai foi para mim "o assassino",
até os vinte anos, quando o conheci,
e vi que este meu dom dele recebi.

Tinha no rosto meu olhar azulino,
na dor um sorriso astuto, doce. E
vagou sempre no mundo peregrino,
amando e dormitando aqui e ali.

Era alegre e leviano, pois o peso
da vida só a minha mãe cabia.
Das mãos ele escapou-lhe qual balão.

"Não imites teu pai, é o que te almejo."
Mais tarde percebi o que então não via:
eram raças em antiga tensão.

Umberto Saba
(Tradução de João Moura Jr.)


Sobre o Poeta
Umberto Saba nasceu em Trieste, em 1883, e morreu em Gorizia, em 1957. Considerado um dos principais poetas italianos deste século, sua obra se caracteriza pelo lirismo e pela acentuada dimensão autobiográfica. Profundamente ligado à tradição humanística do Europa Central, feitor de primeira hora de Freud e Nietzsche, ele é autor de uma poesia que expressa com aparente simplicidade a difícil condição existencial do indivíduo. Franco Fortini, ilustre crítico literário, disse que a magia de Saba consiste na sua clareza plena de gritos sufocados e lágrimas, e que o triestino é um poeta popular no único sentido que se pode dor a esse adjetivo: poeta de um povo.

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